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"Toda instituição passa por três estágios - utilidade, privilégio e abuso." François Chateaubriand



terça-feira, agosto 30, 2016

Cigarras, borboletas e andorinhas




Por Marina Silva


Há dez anos, quando dirigia o Ministério do Meio Ambiente, tomei conhecimento de estudos realizados pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia que alertavam sobre o aumento do risco de combustão da floresta amazônica, provocado pela elevação da temperatura média na região e redução das chuvas, como decorrência do aquecimento global, do desmatamento e das queimadas nas zonas de expansão agropecuária.

Em 2007, o relatório do IPCC indicava que a Amazônia poderia virar uma espécie de savana até o fim do século, uma floresta mais seca, mais baixa, menos diversa e mais rarefeita. Embora estudos posteriores tenham mostrado que esse risco é menor do que se supunha e o próprio IPCC tenha reconhecido em seu relatório de 2014, continuou a afirmar que espera uma significativa diminuição das chuvas e aumento dos períodos de secas mais severas no leste da Amazônia.

Foi-se a polêmica, mas ficaram os alertas quanto aos efeitos. Infelizmente, em algumas regiões da Amazônia essas previsões têm se confirmado, como mostram os diversos eventos extremos ocorridos na última década. As duas piores secas na Amazônia ocorreram em 2005 e 2010, sendo que a de 2010 reduziu as chuvas numa área de 3 milhões de km² de floresta - bem mais do que o 1,9 milhão de km² afetado em 2005. As secas causam a morte de milhões de árvores e animais, além de enormes prejuízos para as comunidades ribeirinhas, para a economia e o abastecimento de água nas cidades. Outro exemplo dramático veio da porção ocidental da Amazônia. Em 2005, o Acre viveu sua pior seca da história e viu arder em brasa cerca de 400 mil hectares de florestas. Atualmente, o rio Acre tem a maior seca já registrada, um ano e meio depois da maior enchente.

Povos do Xingu estão sitiados em suas próprias terras pelo modelo de produção que se incentiva na Amazônia

No plano global, o ano de 2015 foi considerado o mais quente da história e o aquecimento continua: 2016 pode bater esse recorde. É inegável que o aquecimento do planeta está se acelerando e as consequências indicadas pelos cientistas décadas antes já começam a se tornar fato corrente.

Assisti ao comovente filme "Para onde foram as andorinhas?", produzido pelos institutos Socioambiental e Catitu. O filme documenta com paradoxal delicadeza a tragédia social e ecológica dos povos indígenas no Parque do Xingu, mostrando o aumento da temperatura e as mudanças no regime das chuvas e na biodiversidade provocadas pelo desmatamento, queimadas e uso de agrotóxicos nas fazendas que circundam o parque.

Essa é uma tragédia silenciosa, que se desenrola alheia à percepção da sociedade, dos governos e da imprensa. Uma crise sistêmica cujos indicadores não são divulgados nem reconhecidos. É diferente quando a bolsa de valores cai, o dólar sobe ou aumentam as taxas de juros nos Estados Unidos. Aí soam alarmados os atabaques tecnológicos das aldeias urbanas. O mundo "civilizado" entra em alerta máximo.

No Xingu, uma parcela dos brasileiros inquieta-se com indicadores que sinalizam perigo para suas vidas, seus investimentos, seus patrimônios e a destruição de todo seu modo de vida. A inquietação agrava-se no silêncio: esses indicadores só serão medidos, vistos e sentidos pelas comunidades do Xingu? Esses grupos terão cada vez menos aliados nos governos, nos parlamentos e na imprensa? Poderão eles acionar estruturas econômicas e instituições fortes em sua defesa?

Em vários povos, a crise se instala e se aprofunda debilitando-os até que venha a aniquilação lenta e certa. No Xingu, os índios perguntam para onde foram as andorinhas. Amanhã poderemos estar nos perguntando para onde foram os povos Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Trumai, Wauja e Yawalapiti que viviam no Xingu. Além dessa, teremos muitas outras perguntas de natureza ética. Perguntas incômodas, mas fundamentais.

Esses povos estão sitiados em suas próprias terras, mas não mais por grileiros, garimpeiros ou madeireiros. Estão sitiados pelo modelo de produção econômica que nosso país adota e incentiva na Amazônia e nos demais biomas. Para os que defendem esse modelo é irrelevante o desaparecimento das borboletas, cigarras e andorinhas que indicavam a chegada das chuvas e o tempo de plantar. E para todos nós fica a pergunta: será irrelevante a denúncia de que estão matando o Xingu e seus povos, junto com as borboletas, cigarras, andorinhas, florestas e rios? Será irrelevante saber que o cheiro dos agrotóxicos das grandes lavouras se sente no interior da mata, que todos os seus habitantes estão sendo envenenados?

Precisamos ver tudo como uma espécie de aviso, igual à advertência que os cientistas fazem à nossa civilização urbana e industrial. Os cenários científicos da ONU mostram que o semiárido nordestino vai ficar mais seco e quente, que as principais culturas agrícolas do Brasil sofrerão perdas bilionárias, que as cidades litorâneas terão mais inundações e deslizamentos de terra. E os índios nos avisam que seu drama de hoje anuncia nossa tragédia de amanhã.

Há pouco mais de uma semana o Senado ratificou o Acordo de Paris, onde o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030. Essa foi uma excelente notícia em meio à crise politica e econômica. Mas para que seja levada a sério, governo e sociedade devem tomar decisões urgentes. Primeiro, que o governo tem o dever de interromper os movimentos liderados por sua própria base de apoio no Congresso, que quer impor retrocessos socioambientais, como, por exemplo, a fragilização da legislação ambiental e o fim dos direitos constitucionais de indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais.

Além disso, precisamos do fortalecimento técnico, financeiro e político das instituições responsáveis pela política socioambiental do país, como os ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia, Ibama, Funai, ANA e Instituto Chico Mendes e não da sua entrega a interesses contrários a suas funções. Essas instituições têm experiência e competência para firmar parcerias com a sociedade e buscar respostas para as perguntas de índios e cientistas.

Maior do que a crise política e econômica é a silenciosa e trágica crise da ecologia. Sem ecologia não há economia nem sociedade que se sustente. Temos que olhar os indicadores econômicos e sociais, é certo. Mas temos que ver bem de perto, e muito além dos juros, do dólar e da Bolsa, os indicadores de desmatamento e emissões de gases estufa. Se possível, considerando o que está sendo interpretado pelos índios através das cigarras, borboletas e andorinhas.

Marina Silva, ex-senadora e fundadora da Rede Sustentabilidade, foi ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência da República em 2010 e em 2014.

Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Leo, Gaga e o Golden Globes 2016




Golden Globes 2016


Momentos:




Cercada: Jennifer Lawrence/Joy



Top: Bryan Cranston/Trumbo









Naturais: Mark Ruffalo (Lindo)/Spotlight-Infinity Polar Bear





Sequência: Terrence Howard (Lindo)/Empire





Top: Cate Blanchett/Carol




Top: Quentin Tarantino/The Hateful Eight



Jane Fonda/Youth



Top: Christian Bale/The Big Short




Gaga, a Lady/American Horror Story: Hotel




Angela Bassett (fazendo cara de tarada pro fotógrafo)/American Horror Story



Top: Kate Wislet/Steve Jobs




Jonah Hill - Sério




Taylor Schilling/Orange Is The New Black



Top: Julia Louis Dreyfus (Tensa)/Veep



Top: Leonardo Di Caprio/The Renevant


Resultados aqui.

Fonte: NBC

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quinta-feira, dezembro 31, 2015

Revolução!


quinta-feira, agosto 20, 2015

Radio Yandê


I'm listening to Radio Yandê with TuneIn. #NowPlaying http://tun.in/sfg9T
A voz da nação indígena pode ser ouvida sem censura por todos através da Rádio Yandê. Divulgue!


sábado, agosto 08, 2015

O Relógio (Charles Baudelaire)


Fonte: Pequenos Poemas em Prosa (Ed. Nova Fronteira)

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domingo, junho 28, 2015

Capacete Cabeça


Artista: Jyo John







Mais aqui.

sábado, maio 23, 2015

Hoverboard - Guinness World Records






"The prototype can be used anywhere, but is usually tested over water because of how dangerously high it can fly (which is ironic considering that the movie joked that it can't)." Catalin Alexandru Duru 

domingo, maio 17, 2015

Anti Mosquito KatoriMac


Essa é uma aplicação antiga, mas adoro o ícone. O desenvolvedor tem alguns aplicativos bem interessantes para Mac e para iPhone, como por exemplo o player em forma de vitrola.











Você pode baixar na máquina do tempo do arquivo da internet:

STUDIO-蔵:蚊取りKura Mac


sexta-feira, dezembro 12, 2014

Perpetuum Mobile








Fonte: Geekologie

quarta-feira, setembro 17, 2014

Marina Presidente. Tomara!


quarta-feira, julho 09, 2014

Hitler sobre derrota Brasil x Alemanha


domingo, julho 06, 2014

Digital Collage




Tropical

quinta-feira, julho 03, 2014

Treehouse Hotel




Veja mais aqui.

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quarta-feira, junho 25, 2014

Paranoid Android :)


Paranoid Android 4.4

Final Build Released Ahead of Google I/O Announcements

Leia aqui.

terça-feira, junho 24, 2014

Panic Button


Amnesty International Releases Panic Button App For Activists


Já tinha visto um app desse tipo, mas esse é oficial :P


Site


Fonte: http://www.ubergizmo.com/2014/06/amnesty-international-releases-panic-button-app-for-activists/?utm_source=mobilerepublic

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segunda-feira, junho 23, 2014

Holo Launcher HD


Já usei vários. Esse é o que dá menos problemas. Altamente configurável. Home clean ou crowd, a escolha é sua.

Link para o Holo no Google Play aqui.






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sábado, junho 21, 2014

Operadora DDD


Uso o app Operadora DDD no Android para inserir automaticamente o código da operadora nas ligações e sempre achei indispensável. Agora também é possível ver a qual operadora pertence um número de telefone e armazenar essa informação nos contatos. Ficou perfeito!

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sábado, junho 15, 2013


Spean Bridge, Highland PH34 4DY, UK http://goo.gl/maps/N0MQ2

domingo, dezembro 09, 2012

Vida de cachorro


New Zealand Charity Teaches Dogs To Drive (Seriously) | Geekologie

domingo, julho 08, 2012

Gênio!


quinta-feira, maio 24, 2012

The Avengers Inside Hopper's Iconic Nighthawks Painting

















segunda-feira, maio 21, 2012

Carvoaria Brasil


“O governo é mais lento que jabuti”

' A frase dita pelo líder indígena Edilson Krakati, no encerramento da audiência publica da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, foi um ponto convergente na fala dos presentes.

A audiência foi convocada pelo Deputado Bira do Pindaré (PT) a pedido do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) para tratar da regularização e demarcação dos territórios Governador e Awá.

O cacique Tatu´xia Awa, que teve sua fala traduzida pela representante do CIMI, disse “Nossas terras estão sendo destruídas por madeireiros e invasores, as matas estão acabando, o que nós vamos comer? Nos não somos compradores de comida. Dependemos da mata para sobreviver. Por que os brancos demoram tanto para ler os papéis?”

As lideranças indígenas também denunciaram que sofreram atentados de morte por terem denunciado a ação ilegal de madeireiros na região. “Deram um tiro, mas não pegou. Tenho medo de morrer, pois tenho filhos para criar. O governo precisa garantir nossa segurança”, disse Cipriano Gavião, da Terra Indígena Governador.'


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terça-feira, março 27, 2012

Liga das Florestas


domingo, dezembro 25, 2011

Organiza o Natal


Carlos Drummond de Andrade

“Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon —sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso.

A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.”


sexta-feira, dezembro 02, 2011

Anoitecer em Outubro




A noite cai, chove manso lá fora
meu gato dorme
enrodilhado
na cadeira
Num dia qualquer
não existirá mais
nenhum de nós dois
para ouvir
nesta sala
a chuva que eventualmente caia
sobre as calçadas da rua Duvivier

 (Ferreira Gullar)

quinta-feira, novembro 24, 2011

The Mobile Zombie Safehouse


Via Geekologie

domingo, outubro 23, 2011

GlobalRevolution_Rio - live


Watch live streaming video from occupy_rio_brazil at livestream.com

segunda-feira, outubro 10, 2011

occupywallstnyc - live streaming


Watch live streaming video from occupywallstnyc at livestream.com

segunda-feira, setembro 12, 2011

Will & Grace - Unforgettable por Jack e Karen


terça-feira, agosto 16, 2011


Passarinhos na beira da estrada.
Por um átimo fui passarinho também.


quinta-feira, agosto 11, 2011

Treehouse para todos os gostos


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quarta-feira, agosto 03, 2011

Gotas d'água e Relativity de MC Escher



Veja mais aqui.


Brazil/rio/, speaks portuguese